sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

parece que a vida nunca está no meu ritmo

às vezes ela sai correndo e me larga pra trás, pára lá na frente (pra recuperar o fôlego) e grita pra mim, que estou a passos apressados tentando alcançá-la:
- vem, julia, corre!
- calma, vida, to indo!
às vezes é ao contrário. lá estou eu em passos de quem faz caminhada no fim da tarde, toda animadinha e com pressa de chegar ao meu destino e lá atrás vem a minha vida, se arrastando, fazendo corpo mole e sem o menor interesse de me acompanhar na minha empolgação.
- vamos, vida, vem!
- aaah, ja vou...
ela me pede calma, implora paciência e vem vindo, vai saindo, vai seguindo. no tempo dela e não no meu. vida, por que às vezes você demora tanto pra acontecer? vem viver no meu ritmo, vem acontecer comigo, vem me acompanhar e me deixar feliz.
prefiro quando você vai na frente, porque me instiga, me intriga, eu me entrego. e me acostumo facilmente com as situações que você me propõe ta, não tão facilmente assim, mas enfim. e não sei esperar muito, não sei ser paciente. e talvez seja isso que você esteja querendo me ensinar, a ser paciente e esperar as coisas acontecerem. mas, vida, por favor, dá pra ser um pouquinho mais rapidinha?

ps: não sei se no lugar de "vida" eu deveria escrever "destino", "mundo", "deus"...


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

...

- Eu daria um tempo fácil com o Pedro, mas o Tiago simplesmente não vai fazer isso, não vai me apoiar nisso e não vai estar lá. E ele não é o cara pra mim, o Pedro é. Mas já deu.

- Espera... o Pedro é o cara pra você, mas já deu? Você tem certeza que ele é o cara pra você? Ou você está querendo que ele seja?

- Eu sempre me perguntei isso, desde que a gente começou, sabe.

- Olha, não tenta amar ele, é pior. Ninguém aguenta viver tentando por muito tempo. Tem que conseguir.

- Dá vontade de jogar tudo pro alto e sair correndo.

- Mas não faça isso, as coisas quebram se caem no chão. Olha, vou te confessar... eu sou uma pessoa quase que dupla. Na faculdade sou um, em casa... em casa, eu sou outro.

- Sério? Somos dois então! Eu sou várias na verdade, sou uma no trabalho, outra na faculdade, outra em casa, outra na minha cidade. Principalmente na minha cidade. A diferença é gritante que até minha mãe repara...

- Mas eu aprendi que ser feliz é ser todos esses ao mesmo tempo! Pra mim o lugar melhor é quando eu consigo ser os dois. Com o Pedro você é como?

- Uma pessoa chata. Me odeio com ele! Sou irritante, reclamona e melosa. Me odeio com ele!

- Opa, ai tem coisa! Você pesa numa balança de prós e contras... ficar com ele?

- O tempo todo! Ele não faz o meu tipo, mas aconteceu, sabe, me apaixonei. Mas eu só me apaixonei porque ele já tava apaixonado. Isso não partiu de mim...

- Cara, posso te dizer com toda a segurança, mesmo, que amor de verdade não se pesa. Aliás, nem se pensa muito nisso. Pô Sté, não faz isso com você.

- Ai meu Deus, é verdade. Penso nas nossas famílias, que se dão bem... penso em como ele tem paciência (mais do que eu gostaria que ele tivesse).

- Paciência? Pô, mas não pode ter só isso! Pesa sim, mas por isso você vai deixar de ser feliz?

- Eu to feliz, talvez não tanto quanto eu deveria...

- Tá feliz no amor?

- Ai, não faz pergunta difícil.

- É necessário. Stela, pensa comigo: o que te dá segurança e felicidade? O Pedro ou o relacionamento com ele? Eu sei que pegou... começou com um olhar pro Tiago e terminou nisso. Mas é assim... sabe, essas coisas vem pra dar uma chacoalhada na poeira. No começo essa poeira coça, mas nada que o tempo e um bom banho não resolva. E olha, se precisar chorar no telefone é só ligar.

"Me diz se assim está em paz?
Achando que sofrer é amar demais"

(CAMELO, Marcelo.)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

querido diário,

a chuva estragou mesmo minha saidinha de hoje. eu ia com a as meninas num show num hostel com marchinhas do carnaval de são luiz do paraitinga. quando eu tava saindo o mundo caiu aqui e eu desanimei total, resolvi trocar de roupa e curtir minha casa nesse silêncio. ou quase silêncio, tava passando a vida secreta das abelhas, um filme incrível, roteiro maravilhoso, atores muito bons e uma trilha sonora pra vida toda. enquanto isso fui fuçando no flickr dos meus veteranos e lendo blogs de casamento. acho que estou chegando a uma conclusão muito importante na minha vida. alguns sonhos, algumas metas e alguns desafios estão ficando cada vez mais nítidos na minha frente. estou decidindo que o que eu quero mesmo é trabalhar com fotografia, eventos ou redação. ainda não sei definir qual deles eu quero mesmo, mas acho que já é um bom começo. além disso, quero viajar e quero trabalhar com casamentos também. podem falar o que for, que quem trabalha com eventos não tem vida social, que você quase não fica com a família, etc. mas sinceramente, hoje, é o que me deixaria muito feliz. fotografia sempre foi minha paixão e eu, na verdade, escolhi publicidade por isso. porque um dia minha mãe viu uma foto minha e me disse que era isso que eu precisava fazer da vida. eu sempre ouvi muito o que minha mãe me dizia e ainda me diz. se existe alguém de quem as palavras e conselhos levo muito em consideração, essa pessoa é minha mãe. por último, escrever é quase um propósito de vida. quando começo a achar que as fotografias não conseguem guardar os melhores momentos, começo a acreditar que são as palavras que assumem esse papel. vide esse blog. comecei-o há quase quatro anos e ainda estou aqui.
é legal ver o trabalho de gente que se formou na eca e que faz o que gosta e está bem sucedido. eu quero chegar lá, fazer o que gosto e ser bem sucedida. pensando nisso, ou seja, ser feliz e chegar lá, começo a deixar pra trás a ideia de não ser ajudada pelos meus pais. começo a deixar de lado a raiva e a mágoa e pra atingir meus objetivos pode ser que eu precise de uma ajuda financeira e não vou recusar se ela for oferecida. e se ela não for oferecida, tudo bem, eu vou pedir. isso mesmo, quero deixar de lado o orgulho pra realizar meus sonhos.
é isso.
ah, aliás, acho que quero morar no rio de janeiro. quero muito, muito, muito. mesmo que essa ideia dure pouco. esses dias eu estava conversando com a minha mãe sobre isso e (para minha surpresa) ela falou "engraçado você estar falando nisso, porque eu estava pensando nisso esses dias". quase caí da cadeira e to achando que isso, mais cedo ou mais tarde, vai acontecer. por que não?
então esses são meus novos sonhos: viajar, fotografar, festejar e escrever. e amar, muito.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

dear brother




And there will come a time, you'll see, with no more tears. And love will not break your heart, but dismiss your fears. Get over your hill and see what you find there, with grace in your heart and flowers in your hair...

We'll hold on, boy. And i will fly with you, my dear.


with love,
your little sister.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

é pra você que eu quero ligar

queria te ligar hoje pra dizer que sonhei com você. era um sonho lindo, você sorria pra mim. e sorria pra mim e conversava comigo e tudo que nos separava já tinha ficado para trás. e nessa hora, quando seus lábios finalmente acharam o caminho até os meus, aquele acordeom (lembra?) começou a tocar na esquina. aquele velhinho, na frente daquela lojinha de doces (lembra daquela torta de morango?) começou a tocar aquela música, aquela música... não me lembro o nome, mas você cantava junto com o artista quando ela tocava no rádio, quando você me levava pra casa (lembra? parece que faz tanto tempo, todo esse tempo sem você está parecendo uma eternidade). ah que lindo, o vento nos seus cabelos, o sol nos seus olhos (e você espremia seus olhinhos como quem acabou de acordar), o acordeom tocando nossa música, seu sorriso, você me olhando, sua voz...
queria te ligar pra te contar esse sonho que não existiu. o sonho que existiu foi você dando risada, você me beijando, e o pessoal do meu trabalho uma sala esquisita. por que sonhos são sempre esquisitos? eu te perguntei se você não estava mais bravo comigo e como resposta você me beijou. e foi um beijo bem estranho, pra dizer a verdade. mas tudo bem, eu fiquei feliz por saber que finalmente estávamos juntos.
queria te ligar.
queria te ligar ontem, quando eu estava voltando para casa, com frio, sozinha e morrendo de dor de estômago (aliás, uma dor insuportável, eu me contorcia tanto no ponto de ônibus que um rapaz - que não era você - veio perguntar se estava tudo bem). minha mãe tinha viajado e eu estava sozinha nessa cidade. queria te ligar, pra ouvir você dizendo que ia ficar tudo bem, que dali há pouquinho a dor já haveria passado.
queria te ligar outro dia quando meu chefe me deu um aumento e no dia em que minha vó me deu uma viagem. queria te ligar no dia em que eu briguei com a minha mãe e no dia em que não encontrava paz de espírito. eu sabia que encontraria essa paz com você. eu queria só te ligar.
eu só queria você.




O significado dessa história cotidiana me parece da maior importância: é essencial ter alguém para quem ligar quando estamos aflitos, tristes ou perdidos. É fundamental ter com quem falar quando o mundo a nossa volta desmorona ou parece hostil e desanimador. Mesmo quando estamos felizes diante de uma notícia inesperada, ou de algo por muito tempo aguardado, temos necessidade de falar, contar, dividir. Para quem você liga nessas horas?
(...)
Os telefonemas que a gente faz na hora do perrengue são reveladores. Eles exibem nossas conexões profundas, até mesmo as lealdades inconfessáveis. Se você acabou uma relação, mas ainda gosta da mulher, vai perceber um minuto depois de bater o carro. É para ela que você vai ter vontade de ligar. Se você conseguiu um tremendo emprego, não vai contar para o bonitão que conheceu no bar na semana passada. Vai ter vontade de ligar para o sujeito que sabe como isso é importante para você. E quando a gente bebe e fica insuportavelmente romântico e sentimental? Numa hora dessas, ninguém liga para pessoas estranhas. Comoção a gente divide com gente de confiança. Somos ridículos apenas com quem nos conhece muito bem.
(Ivan Martins, nesse texto)

domingo, 29 de janeiro de 2012

seus olhos

Você conseguiu me tirar a paciência e me devolver a calma só olhando pra mim. E é uma das coisas que mais me atraiu em você, seus olhos. Tão profundos, tão vivos. Tão calmos e tão violentos. E sempre expressivos, extremamente expressivos. Ah, os seus olhos, que saudade dos seus olhos... Que saudade de você.